Seminário-Carajás-30-anos-640x162De Aparecida (SP) para São Luís (MA), 05 de maio de 2014
Aos participantes do Seminário Internacional “Carajás 30 anos: resistências e mobilizações frente a grandes projetos na Amazônia Oriental”,
Em nome da presidência do Regional Nordeste V da CNBB, escrevo-lhe para manifestar minha alegria ao ver que o longo processo preparatório do seminário está chegando a sua etapa mais importante, a realização deste Seminário. Acompanhamos como Igreja a realização das etapas locais de Imperatriz e Santa Inês, contribuindo ativamente à sua realização e incentivando nossos ministros e fieis a participarem com entusiasmo.
O encontro final de São Luís, em direta continuidade com o “Seminário Consulta” dos anos 90, põe-se como um marco histórico na análise crítica dos efeitos do Programa Grande Carajás, que tanto influencia a gestão econômica, social e política dos dois estados do Pará e Maranhão.
Ainda em 2011, todos nós bispos do Maranhão publicamos uma carta aberta ao povo maranhense, inspirando-nos na passagem evangélica “Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão” (Mt. 9,36).
Destacávamos que “A história do Maranhão e do Brasil tem sido marcada pela apropriação por parte de pequenos grupos, mediante influências políticas e corrupção ativa, daquilo que pertence a todos”, e indicávamos um caminho importante de conversão e ressurreição da vida em nossas terras: “Para inaugurar um novo momento histórico, precisamos nos educar para um trato totalmente novo, mais ético, com o bem comum. Sentimos que chegou a hora de se fazer uma radical inversão de prioridades e valores. Não podemos deixar que o Estado continue colocando sua estrutura a serviço quase exclusivo dos grandes exportadores de minério, de soja, de sucos e carnes, construindo-lhes as infraestruturas necessárias para obter sempre maiores dividendos”.
Acredito que o Seminário Internacional Carajás 30 anos venha oferecer novas reflexões, análises, propostas para reafirmar o protagonismo das comunidades e minorias atualmente mais prejudicadas pelo modelo de desenvolvimento posto.
Como Igreja, temos a certeza que essas transformações só poderão acontecer se alimentadas por uma mística do cuidado e da ternura para com todas as criaturas, pela opção junto aos mais pobres e oprimidos, que é evangélica e nos provoca ao encontro com as outras ricas culturas de nossas terras.
Dispomo-nos a caminhar juntos, com ainda mais coragem, em sintonia com o Papa Francisco que está preparando a nova encíclica “Ecologia Humana” sobre pobreza e meio ambiente e em continuidade ao lindo processo das Romarias da Terra e das Águas, que tem marcado nosso Estado com intensas celebrações e reflexões ao longo dos últimos vinte e cinco anos.
Desde a Assembleia Geral de todos os Bispos do Brasil em Aparecida, onde atualmente me encontro, envio minha bênção e meus votos de profícuas atividades e debates, em defesa da Vida.
Dom Gilberto Pastana
Presidente do Regional NE5 da CNBB

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