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A Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz de São Luís nasce, no início dos anos 80, da inquietação de um pequeno grupo do Movimento de Cursilhos de Cristandade, no sentido de ser Igreja no mundo,  diante das desafiadoras situações de injustiça gritantes nas realidades temporais.   Provocaram tais situações a chegada e as conseqüências dos chamados “grandes projetos”, materializados pela  AMZA (que se transformou em Vale do Rio Doce), subordinada ao Projeto (ou Programa) Grande Carajás, bem como a implantação da ALCOA/ALUMAR e a Base Espacial de Alcântara.

Todos eles foram determinantes do aguçamento da tragédia que já se abatia no campo, proveniente da chamada Lei de Terras, de 1969, desalojando centenas e  centenas de famílias, enxotando-as para as cidades de médio e grande porte, principalmente São Luís.

Assim, aos poucos, aquele grupo de cursilhistas foi se deparando com a realidade carcerária (prisões ilegais, tortura, mortes nos xadrezes, celas superlotadas e sem aeração suficiente etc.), com a questão da moradia, dos péssimos transportes coletivos urbanos, com a causa do menino e menina de rua, todas elas interpeladoras dos cristãos e/ou pessoas de boa vontade.

Defrontando-se com tudo isso e o desafio  de transformar com a força de seu testemunho os valores que contam, os modelos de vida, os critérios de julgar, os centros de interesse, as fontes de inspiração e as linhas de pensamento (Paulo VI, Evangelii Nuntiandi), e a necessidade de fazer acontecer, em nível de Assessoria do arcebispo de então, D. João José da Motta e Albuquerque, aquele grupo entendeu que era preciso sair da sacristia e dedicar-se, em sintonia com a formação profissional de cada um e cada uma, à causa dos mais empobrecidos, o que significava o exercício da missão profética.   Sempre seus membros tiveram a clareza de que Comissão Justiça e Paz assessora, não é movimento de base.

No dia 26 de setembro de 1980, nós nos reunimos, pela primeira vez, à noite, na Casa das  Irmãs de Jesus Crucificado, à Praça Gonçalves Dias, não sem antes definirmos mais alguns nomes, a fim de ampliarmos nossos sonhos, numa perspectiva multiprofissional.

Durante exatos 9 meses – de 26 de setembro  de 1980 a 19 de junho de 1981 – reuníamo-nos no mini-auditório do prédio da Arquidiocese de São Luís, sendo, finalmente, lavrada a Ata de Fundação  do referido organismo da Igreja de São Luís. Momento auspiciosíssimo.

Os membros fundadores da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luís (CJP), seu nome de fantasia, todos com seus atos de provisão, foram: Maria Lúcia e Reginaldo Telles, José Carlos Sabóia, Léo Costa, Lourdes Leitão, João Batista, Antônio Augusto Moura da Silva, Helena e José Ribamar Heluy, Sylvia Parga Martins. Naiára Wiethaeuper e Geny Murad, assessorados, nos primeiros tempos, pelo padre jesuíta Jaldemir Vittório, seguido do também jesuíta Freddy e, até maio de 1988, pelo padre Victor Asselin. A CJP chegou a ter também, em sua caminhada, a presença e o estímulo de d. Xavier. No mesmo sentido, contamos com o sempre presente e incentivador d. Motta e, depois,  d. Paulo Ponte, os quais eram e se sentiam, na realidade, membros da Comissão Justiça e Paz.

Depois, foram chegando outras excelentes pessoas, como Ozanira, Ironildes, Eliana que prestaram relevante contribuição.  Num e noutro momento, havia a preocupação em vivenciarmos uma experiência de convivência, à luz do Evangelho, entre católicos e pessoas de boa vontade, mas  impregnadas de um forte compromisso social; e entre  profissionais das mais diversas categorias e faixa etária.  Tínhamos, assim, advogados, juiz de direito, promotora de justiça, nutricionista, assistentes sociais, universitários, operário marcineiro, antropólogo, psiquiatra, sociólogo…

Com o tempo, uns partiram, outros se tornaram amigos da CJP e novas pessoas vieram para dar continuidade ao Projeto que marcou a sua fundação, com sua presença nos movimentos sociais e pastorais, em defesa intransigente da vida e do respeito aos  direitos humanos.  Vale, assim, destacar a atuação de Cecília, Dino, Marta,  Irmã Anne, Roberto Mauro, Maria do Carmo, Pia,  Rosa, dos Padres Roberto e Daniel. Merece, ainda, um registro: o apoio que a CJP teve de Nazilda, Joana e seu Kleber para os cuidados administrativos, no dia a dia, em momentos diferentes.

E tudo isso já vai  para 30 anos. A CJP/Ma e seus membros estiveram presentes nas lutas pelo direito à moradia da Vila Padre Xavier, Vila Menino Jesus de Praga, dos bairros Sá Viana,  São Bernardo, João de Deus, Floresta (Promorar), Bom Jesus, Vila Itamar, Isabel Cafeteira, com os slogans: “A cidade está crescendo, onde o pobre vai morar?” / “Quem não tem para onde ir fica onde está” …  A CJP/Ma denunciou as atrocidades cometidas nos cárceres e a violência policial contra meninos e meninas de rua e disse: presente!, na campanha pelas Diretas – Já! e por uma Constituinte livre, soberana e democrática com a participação popular, contando, nesta, com a valiosa colaboração das Irmãs Conceição e Jacinta, sob a coordenação de Padre Víctor.

Extraordinários foram – e ainda são – os dias de espiritualidade, verdadeiros instantes de abastecimento.

Paralelo a tudo isso, dois outros destaques, procurando valorizar jovens profissionais, na área jurídica e na área de comunicação, através de um escritório de advocacia (Amílcar, Jorge Hadad e Baial), assessorando movimentos e comunidades atingidas pela violência do capital, como o MDFP (Movimento de Defesa dos Favelados e Palafitados) e da coordenação e apresentacão do Programa “A lei é para todos”, na Rádio Educadora, de 1984 a 2008, com Carmen Sílvia, Teresa Nascimento, Cléa Gomes, André Ricardo, Moisés Matias, Diniz, Helena.

Correndo risco de algum lapso de memória, registramos alguns flashes dessa maravilhosa história da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luís que, nos últimos anos, brinda com as Quartas de Paz os movimentos, as pastorais, estudantes, comunidade acadêmica, militantes políticos, ativistas sociais, leigos e religiosos, todos movidos pelo desejo de contribuir, também, com a construção do Reino. (Por Helena Barros Heluy)

PARTICIPE DA 4ª QUARTA DE PAZ Livraria Paulus -19 h19 junho, 2013
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